O Telhado dos Sonhos

Entre estrelas e telhas, Chico aprende a olhar o mundo lá de cima.

Chico e o Gato Fubá

Na manhã seguinte, Chico acordou com um barulho familiar:

— Miau!

Levantou num pulo, foi até o quintal e lá estava ele — Fubá, sentado em cima do muro, olhando o menino com seus olhos dourados.

— Eu sabia que você ia voltar! — disse Chico, sorrindo. — Tá com fome? Tenho pão com manteiga… mas acho que gato não liga pra isso, né?

Fubá respondeu com um miado curto e, num salto ágil, pulou do muro para o telhado da casinha de ferramentas.

Chico arregalou os olhos.

— Ei! Volta aqui!

O gato olhou pra trás, balançou o rabo e seguiu andando, como se dissesse: “Vem, se tiver coragem!”

Chico pensou por um instante.

— Ah, quer saber? Eu vou!

Pegou uma escada, encostou no telhado e subiu com cuidado. Quando chegou lá em cima, o vento soprou forte e o mundo parecia diferente.

— Uau… dá pra ver tudo daqui! — disse, com os olhos brilhando.

Fubá se deitou ao lado dele, ronronando.

De cima, Chico via o quintal do vizinho, o campinho de terra, os telhados vermelhos e até o sino da igreja lá longe.

— Parece outro mundo, né, Fubá? — sussurrou.

— Miau — respondeu o gato, como quem concorda.

Chico riu.

— Aqui em cima o vento fala baixinho. Ouve só… ele parece contar segredos.

O gato se espreguiçou, fechando os olhos.

Chico também se deitou, olhando o céu azul com nuvens que pareciam animais.

— Aquela ali é um coelho… e aquela parece… um dragão!

De repente, Fubá se levantou e caminhou mais adiante, equilibrando-se no beiral.

— Cuidado aí, seu maluco! — gritou Chico, rindo. — Você acha que é trapezista?

Mas Fubá não parecia ter medo de nada. Deu um salto elegante para o outro telhado e olhou para Chico, como quem o convida para continuar.

Chico respirou fundo.

— Tá bom, eu vou! — disse, rindo. — Mas se eu cair, você me ajuda, hein?

Lá foram os dois, de telhado em telhado, como dois exploradores atravessando montanhas de telhas e vento.

Até que pararam no ponto mais alto da rua. Dali, as casas pareciam brinquedos e o sol começava a se esconder.

— Olha, Fubá… parece que o céu tá acendendo luzinhas — disse Chico, apontando as primeiras estrelas.

O gato ronronou e se encostou no ombro do menino.

Por alguns instantes, ficaram só os dois, olhando o mundo lá de cima, sentindo que aquele momento era deles — simples, bonito e cheio de sonhos.

— Amanhã a gente vai mais longe, tá? — disse Chico, coçando o queixo do gato.

— Miau.

E quando desceram, o céu já estava todo salpicado de estrelas — como se o universo piscasse pra eles.

Continua…