Chico descobre o valor de um bolo de aniversário feito com amor e parceria.

Chico acordou com um cheiro diferente no ar.
Não era cheiro de café… nem de pão quentinho.
Era mais doce. Mais feliz.
Ele abriu os olhos devagar, ainda meio enrolado no cobertor, e chamou:
— Pai… o que é isso?
Da cozinha veio uma voz baixa, quase cantando:
— Mistério de aniversário…
Chico sentou na cama num pulo.
— Hoje é meu aniversário?
— E desde quando você esquece uma coisa dessas? — respondeu o pai, rindo.
Chico correu até a cozinha, com o cabelo bagunçado e os pés descalços fazendo “toc toc” no chão frio.
Lá estava o pai… com as mãos sujas de farinha, um avental meio torto… e um bolo ainda meio sem forma em cima da mesa.
— Você tá fazendo um bolo? — Chico perguntou, com os olhos brilhando.
— Tentando — disse o pai. — Mas acho que ele ainda não decidiu o que quer ser.
Chico chegou mais perto, curioso.
— Posso ajudar?
O pai fez uma cara pensativa, fingindo seriedade.
— Hummm… é um trabalho muito importante…
— Eu sou importante! — Chico respondeu rápido.
O pai sorriu.
— Então vem cá, chef.
Chico subiu numa cadeira. O pai entregou uma colher.
— Sua missão é mexer isso aqui… com cuidado.
Chico começou a mexer a massa devagar.
— Assim?
— Assim.
— E agora?
— Agora a gente coloca amor.
Chico parou.
— Onde fica o amor?
O pai apontou para o peito dele.
— Aí dentro. É só mexer pensando em coisas boas.
Chico voltou a mexer, concentrado.
— Eu tô pensando em jogar bola… e em sorvete… e em você.
O pai não respondeu na hora. Só sorriu de lado.
— Então esse bolo vai ficar perfeito.
Depois de pronto, o bolo foi para o forno.
E o tempo… pareceu andar mais devagar.
Chico sentou no chão da cozinha, olhando a porta do forno como se fosse um portal mágico.
— Pai… já tá pronto?
— Ainda não.
— Agora?
— Ainda não.
— E agora?
O pai riu.
— Coisas boas levam tempo, filho.
Chico apoiou o queixo nas mãos.
— Mas eu tô muito curioso…
— Eu também.
Quando finalmente o forno apitou, os dois ficaram em silêncio.
O pai abriu a porta com cuidado.
E lá estava ele.
Redondinho. Dourado. Cheirando a abraço.
Chico abriu um sorriso que não cabia no rosto.
— Ficou lindo!
— Ficou a nossa cara — disse o pai.
Eles colocaram o bolo na mesa. O pai acendeu uma vela simples.
Só uma.
— Faz um pedido — disse ele.
Chico fechou os olhos.
Ficou em silêncio por alguns segundos.
E soprou.
A chama apagou… mas alguma coisa acendeu ali dentro.
— O que você pediu? — o pai perguntou.
Chico pensou um pouco.
— Eu pedi pra esse momento nunca acabar.
O pai se abaixou até ficar na altura dele.
— Então a gente faz assim… — disse, baixinho. — A gente guarda ele aqui dentro.
E encostou de leve no peito de Chico.
Chico sorriu.
Pegou o primeiro pedaço de bolo… e dividiu em dois.
— Metade pra você.
— Por quê?
— Porque foi você que fez.
O pai balançou a cabeça.
— Não… foi a gente.
E, ali, entre migalhas de bolo e risadas baixas, Chico descobriu que aniversário não era só sobre crescer…
Era sobre dividir.
E, principalmente, sobre estar junto.
Continua.
