Uma Saudade

Saudade é quando o que foi permanece, mesmo sem estar.

Uma Carta - Outros Contos

Há saudades que não pedem licença.
Elas chegam inteiras, ocupam o peito e transformam o silêncio em presença.

Não são apenas ausência.
São tudo aquilo que foi importante demais para desaparecer.

A saudade tem memória própria.
Ela sabe onde tocar, sabe o que trazer de volta — um riso, um olhar, um instante que ainda insiste em viver dentro da gente.

Às vezes dói.
Outras vezes aquece.
E, em muitos dias, faz os dois ao mesmo tempo.

Porque sentir saudade é reconhecer que algo valeu a pena.
Que houve verdade, intensidade, vida.

O que parte leva consigo o tempo.
Mas o que fica — ah, o que fica — permanece naquilo que não se explica.

No gesto que se repete,
na lembrança que visita,
no coração que não esquece.

Talvez a saudade seja isso:
uma forma bonita de permanência.

Continua.