Primeiro Contato com a Piscina

Chico entra na piscina pela primeira vez e descobre, no colo do pai, que a água também pode ser um abraço.

A piscina parecia muito grande. Grande mesmo. Chico parou na beira e olhou. A água brilhava. Bonita… mas dava um friozinho na barriga. Ele segurou a mão do pai. Apertou forte. — Pai… ela é funda? — Um pouquinho — disse o pai, sorrindo. — Mas eu estou com você. Chico olhou de novo. A água mexia devagar, como se chamasse baixinho. — Vem… — Eu acho que ela falou comigo — cochichou Chico. O pai sorriu, daquele jeito calmo. — Às vezes, a água conversa com a gente. Chico pensou um pouquinho… e levantou os braços. — Me pega? O pai pegou. Forte. Seguro. Devagar, entrou na piscina com Chico no colo. A água encostou nos pés. Chico puxou as pernas rapidinho. — Ih! Geladinha! O pai riu baixinho. — Daqui a pouco ela fica quentinha. Aos poucos, a água subiu pelas pernas, pela barriga… até o peito. Chico encostou a cabeça no ombro do pai. Ficou quietinho. Sentiu. A água não era assustadora. Era macia. Era calma. Parecia um abraço. Chico abriu um olho. Depois o outro. — Pai… ela não mordeu. O pai riu. — Eu disse. Chico colocou a pontinha da mão na água. Depois a outra. Fez um movimento bem pequeno… plim. A água respondeu. Chico sorriu, bem devagar. — Oi, piscina… E, naquele dia, a piscina deixou de ser grande demais… e começou a ser um lugar possível.

A piscina parecia muito grande. Grande mesmo.
Chico parou na beira e olhou. A água brilhava. Bonita… mas dava um friozinho na barriga.

Ele segurou a mão do pai. Apertou forte.

— Pai… ela é funda?
— Um pouquinho — disse o pai, sorrindo. — Mas eu estou com você.

Chico olhou de novo. A água mexia devagar, como se chamasse baixinho.

— Vem…

— Eu acho que ela falou comigo — cochichou Chico.
O pai sorriu, daquele jeito calmo.

— Às vezes, a água conversa com a gente.

Chico pensou um pouquinho… e levantou os braços.

— Me pega?

O pai pegou. Forte. Seguro.

Devagar, entrou na piscina com Chico no colo.

A água encostou nos pés.
Chico puxou as pernas rapidinho.

— Ih! Geladinha!

O pai riu baixinho.

— Daqui a pouco ela fica quentinha.

Aos poucos, a água subiu pelas pernas, pela barriga… até o peito.
Chico encostou a cabeça no ombro do pai.

Ficou quietinho.

Sentiu.

A água não era assustadora.
Era macia.
Era calma.

Parecia um abraço.

Chico abriu um olho. Depois o outro.

— Pai… ela não mordeu.

O pai riu.

— Eu disse.

Chico colocou a pontinha da mão na água.

Depois a outra.

Fez um movimento bem pequeno…

plim.

A água respondeu.

Chico sorriu, bem devagar.

— Oi, piscina…

E, naquele dia, a piscina deixou de ser grande demais…
e começou a ser um lugar possível.

Continua.