O que cresce sem nunca se cumprir.

A vontade nunca foi um impulso.
Era mais parecida com um acúmulo.
Pequenos instantes guardados sem perceber, que aos poucos iam ocupando espaço — até que já não cabiam mais apenas como observação. Era uma vontade que não pedia pressa, mas também não aceitava ser ignorada.
Eu queria saber mais.
Não fatos — não onde ela ia, o que fazia, com quem falava. Isso parecia pouco. Queria entender aquilo que antecedia tudo isso. O que fazia o sorriso começar. O que provocava aquele silêncio específico. O que sustentava aquele jeito de estar no mundo.
Mas havia um limite invisível.
Uma linha que nunca foi traçada, mas sempre foi respeitada.
E a vontade parava ali.
Não por falta de coragem apenas — mas por uma intuição estranha de que atravessar aquele limite significaria transformar tudo em algo comum. Explicável. Tocável. E, talvez, finito.
E eu não queria o fim.
Nem mesmo o começo, se ele viesse acompanhado dessa perda.
Então a vontade permaneceu no mesmo lugar que o resto: no intervalo.
Crescendo sem se resolver. Existindo sem se cumprir.
Às vezes mais intensa, quase insuportável.
Outras vezes suave, como uma lembrança que não dói — apenas insiste.
E, no fundo, talvez tenha sido essa a escolha, mesmo que nunca declarada:
Não viver a história.
Mas preservar o instante.
Fim.
