Chico e a Festa no Quintal

⏱ 7 min de leitura · ★ 5,0 · 🎧 narrada

Quando todo mundo canta para você, o coração fica quente como forno de bolo.

Chico e A Festa no Quintal | Contos de Chico

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⏱ 6 min

No sábado, o quintal amanheceu diferente.

Tinha bandeirinhas coloridas penduradas da árvore até a janela da cozinha. Tinha uma mesa comprida, coberta com uma toalha xadrez. E tinha balões — vermelhos, azuis e amarelos — amarrados em tudo o que ficava parado.

Chico estava no meio do quintal, com o barco de polícia debaixo do braço, girando devagar para ver tudo.

— Pai… parece outro lugar.

— É o mesmo quintal — disse o pai, de cima da escada, prendendo o último balão. — Só que vestido de festa.

Chico riu.

Depois, parou.

— Pai… e se ninguém vier?

O pai desceu da escada e sentou no degrau.

— Quem você convidou?

— A Taila. O Pedro. A Ana.

— E o que eles disseram?

Chico pensou.

— A Taila disse "claro". O Pedro disse "eba". E a Ana disse que ia trazer uma surpresa.

— Então acho que vem gente — respondeu o pai, sorrindo.

Mesmo assim, Chico foi até o portão.

Espiou a rua.

Voltou.

Foi de novo.

Espiou.

Voltou.

Ferdinando seguia atrás dele em cada viagem, com as orelhas balançando.

— Você também tá ansioso, Ferdinando?

Ferdinando deitou no chão e soltou um suspiro comprido, como quem diz: cansei de ir e voltar.

Até que…

Din-dom!

Chico correu tão rápido que quase deixou o barco cair.

Era a Taila, com os cachos presos num laço amarelo.

— Feliz aniversário, Chico!

Logo atrás chegou o Pedro, com uma coroa de papel na cabeça. E depois a Ana, segurando uma caixinha amarrada com barbante.

— Que caixa é essa? — perguntou Chico, curioso.

— Surpresa é surpresa — disse a Ana, misteriosa. — Só depois do bolo.

Primeiro, eles brincaram de pega-pega em volta da árvore.

Depois, de estátua. O Pedro ficou parado numa perna só… balançou… balançou… e caiu na grama, rindo sem parar.

Então Chico teve uma ideia.

— Quem quer entrar na equipe de resgate?

— Eu! — gritaram os três.

O pai encheu uma bacia grande com água. Chico colocou o barco para navegar.

— Atenção, equipe! Tem uma tampinha em perigo!

A Taila fazia as ondas com a mão.

O Pedro fazia a sirene: uóóó-uóóó-uóóó!

A Ana vigiava o horizonte, com as mãos em forma de binóculo.

— Resgatada! — gritou Chico, levantando a tampinha.

— Missão cumprida! — responderam todos, batendo as mãos.

Lá em cima do muro, dois olhos dourados acompanhavam tudo. Era Fubá, que nunca perdia uma festa… mesmo quando ninguém tinha mandado convite.

Quando o céu começou a ficar cor de laranja, o pai chamou:

— Hora do bolo!

Todo mundo correu para a mesa.

O bolo era de chocolate, com um barquinho de açúcar em cima. O pai acendeu a vela.

E aí aconteceu uma coisa que Chico não esperava.

Todo mundo ficou em volta dele.

Todo mundo olhando para ele.

E todo mundo começou a cantar, bem alto:

— Parabéns pra você…

O rosto de Chico esquentou. Esquentou como forno de bolo. Ele não sabia onde colocar as mãos. Nem para onde olhar.

Então fez a única coisa que pareceu certa: escondeu o rosto na camiseta do pai.

— …nesta data querida…

A cantoria continuava. Chico só espiava com um olho.

O pai se abaixou e sussurrou no ouvido dele:

— Tá tudo bem, filho. Sabe o que é essa música?

Chico balançou a cabeça, sem sair da camiseta.

— É um abraço que a gente dá com a voz. Todo mundo aqui está te abraçando ao mesmo tempo.

Chico espiou de novo.

Viu a Taila cantando de olhos fechados.

Viu o Pedro, de coroa torta, batendo palmas fora do ritmo.

Viu a Ana, sorrindo com a caixinha no colo.

Não parecia assustador.

Parecia… um abraço grande.

Devagarinho, Chico tirou o rosto da camiseta.

— …é pique, é pique…

E, quando chegou no é hora, é hora, ele já estava batendo palmas também.

— Rá-tim-bum!

Chico encheu as bochechas de ar e soprou com toda a força.

A chama apagou, e todo mundo gritou. Ferdinando latiu. E, lá do muro, Fubá soltou um miau comprido, como quem também queria participar.

Chico riu, com o rosto ainda vermelho — mas agora era vermelho de alegria.

Depois do bolo, a Ana entregou a caixinha.

Chico desamarrou o barbante com cuidado. Lá dentro, dobrado com capricho, tinha um barco de papel.

— Fui eu que fiz — disse a Ana. — Para o seu barco de polícia ter um parceiro nas missões.

Chico segurou o barquinho com as duas mãos, como quem segura uma coisa frágil e preciosa.

— Agora a equipe tem dois barcos!

— E quatro capitães! — completou a Taila.

Eles brincaram até as bandeirinhas ficarem escuras contra o céu.

E Chico entendeu uma coisa: aniversário é quando as pessoas que gostam da gente se juntam num lugar só… e cantam bem alto, só para dizer que estão felizes porque a gente existe.

Mesmo que o rosto fique quente como forno de bolo.

Continua.

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📚 Série 11: Chico e seu aniversário · episódio 3 de 4

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