Quando todo mundo canta para você, o coração fica quente como forno de bolo.

🎧 Ouça a história narrada
⏱ 6 min
No sábado, o quintal amanheceu diferente.
Tinha bandeirinhas coloridas penduradas da árvore até a janela da cozinha. Tinha uma mesa comprida, coberta com uma toalha xadrez. E tinha balões — vermelhos, azuis e amarelos — amarrados em tudo o que ficava parado.
Chico estava no meio do quintal, com o barco de polícia debaixo do braço, girando devagar para ver tudo.
— Pai… parece outro lugar.
— É o mesmo quintal — disse o pai, de cima da escada, prendendo o último balão. — Só que vestido de festa.
Chico riu.
Depois, parou.
— Pai… e se ninguém vier?
O pai desceu da escada e sentou no degrau.
— Quem você convidou?
— A Taila. O Pedro. A Ana.
— E o que eles disseram?
Chico pensou.
— A Taila disse "claro". O Pedro disse "eba". E a Ana disse que ia trazer uma surpresa.
— Então acho que vem gente — respondeu o pai, sorrindo.
Mesmo assim, Chico foi até o portão.
Espiou a rua.
Voltou.
Foi de novo.
Espiou.
Voltou.
Ferdinando seguia atrás dele em cada viagem, com as orelhas balançando.
— Você também tá ansioso, Ferdinando?
Ferdinando deitou no chão e soltou um suspiro comprido, como quem diz: cansei de ir e voltar.
Até que…
Din-dom!
Chico correu tão rápido que quase deixou o barco cair.
Era a Taila, com os cachos presos num laço amarelo.
— Feliz aniversário, Chico!
Logo atrás chegou o Pedro, com uma coroa de papel na cabeça. E depois a Ana, segurando uma caixinha amarrada com barbante.
— Que caixa é essa? — perguntou Chico, curioso.
— Surpresa é surpresa — disse a Ana, misteriosa. — Só depois do bolo.
Primeiro, eles brincaram de pega-pega em volta da árvore.
Depois, de estátua. O Pedro ficou parado numa perna só… balançou… balançou… e caiu na grama, rindo sem parar.
Então Chico teve uma ideia.
— Quem quer entrar na equipe de resgate?
— Eu! — gritaram os três.
O pai encheu uma bacia grande com água. Chico colocou o barco para navegar.
— Atenção, equipe! Tem uma tampinha em perigo!
A Taila fazia as ondas com a mão.
O Pedro fazia a sirene: uóóó-uóóó-uóóó!
A Ana vigiava o horizonte, com as mãos em forma de binóculo.
— Resgatada! — gritou Chico, levantando a tampinha.
— Missão cumprida! — responderam todos, batendo as mãos.
Lá em cima do muro, dois olhos dourados acompanhavam tudo. Era Fubá, que nunca perdia uma festa… mesmo quando ninguém tinha mandado convite.
Quando o céu começou a ficar cor de laranja, o pai chamou:
— Hora do bolo!
Todo mundo correu para a mesa.
O bolo era de chocolate, com um barquinho de açúcar em cima. O pai acendeu a vela.
E aí aconteceu uma coisa que Chico não esperava.
Todo mundo ficou em volta dele.
Todo mundo olhando para ele.
E todo mundo começou a cantar, bem alto:
— Parabéns pra você…
O rosto de Chico esquentou. Esquentou como forno de bolo. Ele não sabia onde colocar as mãos. Nem para onde olhar.
Então fez a única coisa que pareceu certa: escondeu o rosto na camiseta do pai.
— …nesta data querida…
A cantoria continuava. Chico só espiava com um olho.
O pai se abaixou e sussurrou no ouvido dele:
— Tá tudo bem, filho. Sabe o que é essa música?
Chico balançou a cabeça, sem sair da camiseta.
— É um abraço que a gente dá com a voz. Todo mundo aqui está te abraçando ao mesmo tempo.
Chico espiou de novo.
Viu a Taila cantando de olhos fechados.
Viu o Pedro, de coroa torta, batendo palmas fora do ritmo.
Viu a Ana, sorrindo com a caixinha no colo.
Não parecia assustador.
Parecia… um abraço grande.
Devagarinho, Chico tirou o rosto da camiseta.
— …é pique, é pique…
E, quando chegou no é hora, é hora, ele já estava batendo palmas também.
— Rá-tim-bum!
Chico encheu as bochechas de ar e soprou com toda a força.
A chama apagou, e todo mundo gritou. Ferdinando latiu. E, lá do muro, Fubá soltou um miau comprido, como quem também queria participar.
Chico riu, com o rosto ainda vermelho — mas agora era vermelho de alegria.
Depois do bolo, a Ana entregou a caixinha.
Chico desamarrou o barbante com cuidado. Lá dentro, dobrado com capricho, tinha um barco de papel.
— Fui eu que fiz — disse a Ana. — Para o seu barco de polícia ter um parceiro nas missões.
Chico segurou o barquinho com as duas mãos, como quem segura uma coisa frágil e preciosa.
— Agora a equipe tem dois barcos!
— E quatro capitães! — completou a Taila.
Eles brincaram até as bandeirinhas ficarem escuras contra o céu.
E Chico entendeu uma coisa: aniversário é quando as pessoas que gostam da gente se juntam num lugar só… e cantam bem alto, só para dizer que estão felizes porque a gente existe.
Mesmo que o rosto fique quente como forno de bolo.
Continua.
Que nota você dá para esta história?
📚 Série 11: Chico e seu aniversário · episódio 3 de 4
Ver todos os episódios da série · Mais histórias
Toda quinta-feira
Receba a nova série do Chico
Quatro histórias curtas para ler com as crianças antes de dormir. Grátis.
Inscrição feita! 💛
Toda quinta-feira você recebe a série nova do Chico pelo canal que escolheu.
