Chico respira fundo, tenta sozinho e descobre que já sabe nadar.

Um dia, Chico olhou para a boia…
e pensou.
Pensou de verdade.
— Pai…
— Oi, filho.
— Acho que eu quero tentar sem ela.
O pai olhou nos olhos de Chico.
— Tem certeza?
Chico respirou fundo.
— Tenho.
O pai ficou na borda. Abriu os braços.
— Eu estou aqui.
Chico tirou a boia devagar.
Segurou na beira.
Olhou a água.
O coração fez tum… tum… tum…
— Vai — disse o pai, bem baixinho.
Chico respirou fundo…
e soltou.
A água subiu um pouquinho.
Ele mexeu os braços.
Depois as pernas.
Um, dois… um, dois…
Por um segundo, deu medo.
Mas o pai estava ali.
E Chico continuou.
Mexeu mais forte.
Mais rápido.
A borda estava logo ali.
Pertinho.
Cada movimento levava ele pra frente.
Até que…
tocou.
Chegou.
Chico segurou na borda e levantou o rosto.
Os olhos brilhavam.
— Pai… eu consegui!
O pai sorriu, orgulhoso.
— Você conseguiu.
Chico riu. Um riso alto. Feliz.
A água escorria pelo rosto, mas ele nem ligou.
— Eu sei nadar!
E naquele momento…
Chico descobriu que a coragem mora bem pertinho da gente.
Às vezes, só espera a gente tentar.
Continua.
